quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"Publicar um texto é um jeito educado de dizer: “Me empresta seu peito porque a dor não tá cabendo só no meu..”"

- Tati Bernardi


Pra mim é muito mais difícil publicar alguma coisa, percebem?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O próximo encontro.

Eu te esperaria lendo uma poesia... Até você chegar, sentar ao meu lado, me abraçar, me envolver e eu suspiraria um suspiro que pode se traduzir como: que-bom-te-ter. Iríamos pro seu apartamento e eu diria que você mudou a cama de lado e esqueceu que eu gosto da parede, e foi por isso que você dormiu mal na última noite porque não estávamos no lado em que nos encaixávamos perfeitamente. Então eu abriria mão do lado da parede com a condição que você não me largasse a noite toda. Eu contaria tantas coisas, como sempre conto e você escutaria pacientemente. Quando fosse tua vez de contar algo eu certamente te beijaria no meio de alguma (leia-se: várias) frase. Quando tudo ficasse em silêncio eu diria gosto-muito-de-você, ou quem sabe depois de um beijo eu olhasse bem nos teus olhos e diria eu-adoro-você, qualquer uma das situações seriam propícias. Quem sabe você responderia também-gosto-de-você ou talvez sorriria ou me abraçaria mais forte. Em algum momento da noite talvez eu risse sem motivo e você perguntaria porque, aí eu contaria a primeira história engraçada que me viesse na cabeça pra não ter que admitir que eu estava rindo da minha situação rídicula de menina-meio-que-apaixonada. Depois eu admitiria pra mim mesma que rídiculos são os que não admitem esse sentimento. Ao mesmo tempo que diversos pensamentos gostosos e bobos passariam pela minha mente eu estaria passando a mão no seu cabelo e, de repente, dormiria escutando sua respiração. Sei bem que eu acordaria várias vezes no meio da noite só pra te observar. Quando o dia começasse a clarear eu tentaria dormir menos pra aproveitar os últimos momentos contigo, aí eu me moveria na cama pra você acordar de alguma forma e me abraçar mais forte. Depois, ouviria teu celular despertanto e pediria pra você ficar mais um pouco na cama. Você me beijaria e diria preciso levantar. Nos arrumaríamos e na próxima esquina aconteceria a separação. Com a separação eu começaria a imaginar o próximo encontro.

domingo, 3 de outubro de 2010

Setembro que não foi setembro.

Setembro virou agosto e agora que acabou eu precisei admitir isso. Setembro não foi o mês das coisas bonitinhas, das borboletinhas bobinhas e do céu azul que eu perguntava quem tinha pintado daquele jeito. Setembro foi uma tempestade absurda que eu tive que me entregar. Nessa ventania carregada de pingos grossos vieram traições, amores enterrados e desgostos que deviam ter acontecido em agosto. Eu diria pro Nando Reis que eu reparei que o mundo estava ao contrário, mas não quis admitir. Mentiras foram gritadas aos quatro cantos que compõe salas e aos quatro ventos. Pessoas se calaram com lágrimas porque responder a altura era politicamente inaceitável quando se agredia pessoas. Comunicação e Expressão, com agressão. Pra quê?

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O índiozinho que não falava francês


Era uma vez... Em uma ilha, um indiozinho que navegava em seu pequeno bote, até que uma guriazinha se aproximou e o pequeno bote do indiozinho virou. Ele nadava e gritava: "sua mal caráter". Naquele momento ela ficou com um peso enorme na consciência e viu que não podia deixá-lo afundar, então pensou: "se eu fosse um peixinho e soubesse nadar eu tirava o indiozinho lá do fundo do mar". Ela desejou com tanta força que, como num passe de mágica, os dois viraram peixe. Passaram muito tempo nadando juntos, um trapaceando o outro, mas sempre juntos. Finalmente, nascia uma dupla. Mas de repente, quando ela menos esperava, ele veio com a notícia:

- Vou para a França.
- Você não pode ir. Você nem fala francês.
- Vou de qualquer jeito, não tem quem me segure aqui.
- Como pode um peixe vivo viver fora d'água fria? Ela perguntou.
- Como pode a água fria viver sem seu peixe vivo? Ele perguntou como resposta.

As respostas eles já sabiam...

Hoje, o peixinho, em algum lugar da França, está comemorando seu aniversário. E pra ela só resta um vazio enorme, uma foto 3x4 e um bilhete com as escritas tortas no espelho:
"Eu te amo 1, mas é pra sempre."

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Das coisas inenarráveis

eu sempre soube que
então te conheci e tudo ficou da cor dos
as noites juntos são como
na primeira vez eu me senti em
cada dia sem te ver é como se
mas quando te encontro eu fico tão
e quando me tocas eu vejo o


desde então
descobri que não sei explicar,
só sentir.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"A nossa liberdade é o que nos prende"

Naqueles lugares onde tudo é legalizado e as pessoas exalam liberdade é que nos encontramos. São ambientes de libertos e, evidentemente, fazemos parte disso. Quando nos encontramos é como se nos reconhecessemos. Um reconhecimento sei lá de quê, mas existente e intenso.

Fomos vítimas de alguns encontros e de algumas noites mal dormidas onde nos reconhecemos cada vez mais e onde reconhecemos cada partezinha do outro e ainda há tanto pra descobrir. Fomos vitimas do álcool, da fumaça e do instinto de liberdade. Fomos vítimas um do outro.

Numa terça-feira qualquer houve uma vontade de se ver, de se ter. E nos vimos e nos tivemos. Tudo isso sem a influência do álcool, da fumaça, e só havia um pequeno vestígio desse instinto de liberdade. E nos surpreendermos em nos descobrirmos assim, de cara limpa.

Surpreendentemente diferente das outras vezes não sabíamos o que fazer. A liberdade fazia um silêncio que nos deixava imóveis. No meu silêncio mais profundo ele me escutou gritar por liberdade, então trancou a porta, para que eu não fugisse. E eu não queria fugir.

Depois daquela noite uma coisa ficou clara para mim: ter alguém para se prender também é ser livre; livre para escolher com quem eu quero estar naquele momento ou em qualquer momento. E hoje eu só queria que ele soubesse disso: que a partir do momento que eu o reconheci, eu o escolhi, porque ele era livre, livre para poder me reconhecer, livre para poder me escolher.


Eu queria lhe dizer que Liberdade é ter alguém para se prender.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A Leitura e Eu: um caso sério.

Gabriela da Silva

O primeiro encontro é sempre o mais angustiante. É aquele que te toma por inteiro e te enche a barriga de borboletas hiper-ativas. Comigo não poderia ser diferente. Eu, como uma boa ariana, ao receber a notícia de que aprenderia a ler entrei em estado de êxtase. A mochila estava pronta, o uniforme passado e o lanche na geladeira, tudo pronto, mas eu não conseguia dormir, a ansiedade era enorme, mas enfim, fui tomada pelo cansaço. Ao amanhecer, lá estava eu, prontinha, impecável e alerta, esperando que minha mãe acordasse para podermos sair de casa. Os minutos pareciam horas. Assim como os minutos, o caminho cresceu quilômetros. Até que chegamos. Sentei-me comportadíssima e atenta, e então, começou: L + E + I = LEI; T + U = TU; R + A = RA.

Lembro que foi um tempo tentando ler placas de trânsito, letreiros e tudo que aparecia em minha frente, até que, em um final de semana, meu pai chegou com vários gibis, e assim, comecei a me prender em meio às letrinhas e ilustrações. Até a quarta série do ensino fundamental eu e a leitura tivemos um relacionamento estável, eu estava completamente apaixonada pela literatura infantil, mas, como todos os relacionamentos, no quinto ano começou a fase da cobrança. Era preciso ler e prestar contas da leitura. Essa é a pior parte de qualquer relacionamento, pois aqui entra em jogo a liberdade de escolha e, ainda, os prazos são exigidos. Ler e resumir. Ler e apresentar. Ler e ilustrar. Ler e musicar. Ler e interpretar. Várias alternativas são lançadas para que o relacionamento não fique chato e monótono, e realmente é empolgante.

De quinze em quinze dias nos dirigíamos até a biblioteca, e, também, de quinze em quinze dias apresentávamos os livros escolhidos. Certa vez eu estava correndo os olhos pelas prateleiras procurando um livro fino e com bastante figuras (vejam só como a periodicidade, o prazo e a obrigação influenciam no gosto pela leitura) encontrei um com o título de “Super Silva” e na hora o peguei. Li e ri muito com as travessuras daquele “heróizinho” e logo formulei uma encenação para a apresentação, arranjei capa e todos aqueles apetrechos de super-heroína e apresentei, essa cena marcou muito, não só a mim, mas todos gravaram aquela figurinha, ainda hoje quando encontro o professor do ensino fundamental ele me aborda com um “Oi, Super Silva!”.

Voltando a linha do tempo... Não mais que na hora, eu entrei para o Ensino Médio e conheci a professora que me inspiraria; Foi ela quem apimentou a minha relação com a leitura. Explico, Angela, nome que contraria a sua personalidade nada angelical, é entusiasmo, genialidade, intensidade, força e exemplo para qualquer um. Eu adorava a forma como ela não tinha escrúpulos. Nunca tive bons professores de português, mas ela veio para dar rumo, para tirar qualquer dúvida e fortalecer a relação.

Angela que me apresentou a Capitu dos “olhos de cigana obliqua e dissimulada”, e ela quem me fez conhecer uma verdadeira interpretação de texto e tirou o limite da pergunta: “O que o autor quis dizer no livro?”. Todos da classe assustaram-se com a exigência da nova professora no primeiro dia de aula: “Leiam Dom Casmurro porque daqui há um mês teremos uma prova sobre o livro” - ainda consigo escutar o tom de voz com que falava. Como assim uma prova? Não haverá mais apresentações? Musiquinhas? Resumos? Encenações? Nada mais, aquela era a hora em que começaríamos a nos preparar para o vestibular.

No decorrer dos três anos do Ensino Médio eu tive contato com alguns dos clássicos da Literatura Brasileira e com a gramática em si, pois antes eu não tinha aprendido nada, era um mero relacionamento inocente, eu não esperava muito da leitura e creio que nem ela botara fé em mim, mas os laços se enlaçaram cada vez mais, usando a redundância para espelhar a intensidade da embolação. Contudo, quando eu cheguei no terceiro ano eu tive que criar coragem para assumir esse relacionamento para todos. Foi difícil. Eu sempre quis ser professora, mas nunca tinha decidido em qual área eu atuaria. O dia da inscrição do vestibular estava cada vez mais perto e a “ansiedade ariana” já me tomava conta. Comecei e colocar no papel todas as áreas e a descartar, até que sobrou só a Língua Portuguesa. Era Ela!

Prestei vestibular. Passei. E o pior estava aqui. Quando olhei o resultado me desesperei, pois sou ‘muito família’, e eu, com meus dezesseis anos, não conseguiria me virar sozinha; fui me inferiorizando cada vez mais, até que a família começou a botar pressão e acabei me mudando. Hoje não me arrependo e me orgulho da força e vontade com que continuo aqui. E, ainda, me orgulho de poder aprofundar minhas leituras e estar recebendo essa aprendizagem. Sinto-me privilegiada e sou! Eu e a leitura? Cito Toquinho: “O nosso caso é um caso sério, porque ele não é sério demais, é um jogo descuidado com cuidados especiais”. Cada vez mais intenso e constante. Eu e ela... (Sem ponto final)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Espero. Esperas. Espera. Esperamos. Esperais. Esperam a Esperança.

Eu acordo.
Tomo um banho. Tomo um café. Tomo vergonha na cara e mando mensagem pra ele.
Ele diz que vem.
Aí, eu espero. Espero e não faço mais nada.
As pessoas me chamam para sair e eu digo que não posso. Não quero, agora.
Eu me arrumo. Compro a nossa janta.
Continuo esperando. Então eu janto.
Olho-me no espelho e já não me gosto.
Tomo outro banho. Troco de roupa.
A esperança continua...
Eu canso de estar descansando(esperando).
A paciência termina. Coloco o pijama. Apago as luzes.
Desperto com um chamado.
Olho pela janela. Desço as escadas.
- Desculpe a demora.
De repente eu esqueço da agonia do esperar e respondo.
- Entre.
E ele entra.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Da saudade que eu sinto...


Todos os dias eu tenho que levar minha irmã para a escola e isso me traz algumas lembranças. Quando eu chego no portão, vejo muitos pais deixando seus filhos e lembro quando eu era menor e meus pais se separaram... Foi difícil segurar o choro, o desespero e o medo. Eu acabei ficando sob a guarda da minha mãe, mas continuava vendo meu pai todos os dias, pois estávamos perto um do outro. Até que um dia eu mudei de cidade. Hoje, pelos lugares que eu passo e para onde eu olho, lembro do meu pai e sinto uma saudade enorme que só ameniza nas férias de dezembro quando o encontro. E, assim, se repetem todos os meus anos. Eu aqui, ele do lado de lá e uma saudade, do tamanho da distância que nos separa e do tempo que demoramos em nos ver, que toma conta de mim e dele. Mas eu sei que ele está lá me esperando e isso que me dá forças para seguir, todos os dias.


Por: Ariana e Gabriela.



(Trabalho de português da minha sobrinha que está na oitava série. Consistia em escrever uma crônica sobre algo que acontece no seu dia-a-dia que marca sua vida. Eu e ela escrevemos juntas. Eu a amo.)

domingo, 20 de junho de 2010

Retalhos de um diálogo: Das coisas que eu guardo em mim.


Da liberdade


X: as vezes eu quero escrever

X: e não consigo
Y: e pq não escreve?
Y: pq?
X: isso acontece...
X: eu sempre digo
X: que na literatura é o único lugar que se pode ser livre...
X: mas eu não sei ser livre
X: é difícil escrever o que eu tenho que escrever
X: eu ter que ler o que eu escrevi, que eu não queria ter escrito, porque é verdade
X: hoje eu queria escrever muitas coisas
X: mas daí eu não to conseguindo
Y: pq vc não rabisca, ao menos?
X: eu salvo algumas frases aleatórias
X: mas não desenvolvo
X: por medo
X: é estranho
X: vai entender
Y: já pensasse em escrever sobre o seu medo?
X: já...
Y: e pq não escreveu?
X: é como se eu tivesse revelando um segredo, para mim mesma.
X: as coisas que eu escrevo
X: eu leio
X: e me sinto mal
X: como se eu tivesse me traído
Y: então vc nega a liberdade por medo?
X: eu não quero ser livre...
Y: pq?
X: porque ser livre é não depender.
Y: ou depender voluntariamente...
X: não entendi
Y: a liberdade não é se livrar de todas as correntes, mas ter o direito de conhecer e escolher plenamente ao que se acorrentas
X: (:

(...)

Da paixão

X: eu me apaixono por isso, por esse discurso...
X: pelo jeito que a gente escreve um pro outro...
X: não me vem exemplos mais específicos pra te mostrar o que é paixão pra mim
Y: vc se apaixona é pela sua sensação de paladina de um resquício de pureza enfrentando algo claramente terreno e mal aos seus olhos hahahaha

(...)

Do relacionamento

Y: e vc ainda não criticou minha opinião sobre relacionamento
X: eu sei...
X: não esqueci, não se preocupe
X: só tenho pensado nisso, e tô criando coragem para escrever...
X: não é nada demais
X: mas é aquela coisa que eu te falei antes, sobre escrever
Y: ahhahahahaha, não precisa ter medo... eu vou sempre dar minha opinião, mas nunca te julgar, mesmo q a sua autocrítica cumpra esse papel, garanto que sou bem menos rígido que ela ;)
X: eu sei, é algo que fere mais a mim do que a ti, não tô preocupada com a tua reação, porque não vai ser nada demais...
X: preciso reler tudo o que tu escreveu de novo e pensar em como começar
Y: aeaehueeeueuaeueauhe... vc vai discordar só de tudo
X: hiuahsauihsuiahsa
X: por que a gente é assim, né?
X: é tudo uma discordância
X: existe o tal do equilíbrio que tu tanto fala nesse sentido?
Y: ah, em um ponto até que a gente tem uma harmonia legal...
X: é...
Y: talvez... eu não sei exatamente... o que eu sei é q, dentro do meu padrão de manter perto de mim pessoas que me interessam, vc é uma das que eu mantenho por múltiplos interesses

Das reticências...

...
..
.

(Há reticências que podem não dizer nada)


quarta-feira, 16 de junho de 2010

As letras estão fora do lugar


É incrível como eu consigo ser desorganizada. Não esqueço do que eu tenho que fazer, mas não sei elencar prioridades, saio abraçando o mundo e depois me pego desorientada. Preciso escrever tanto, tanto e estou aqui, escrevendo o que eu não deveria porque eu preciso desse tempo. Tempo. Arranjo tempo onde não tem. Arranjo tempo para tudo e sempre digo que não tenho tempo para nada, incrível essa contradição.

"Enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso, faço hora e vou na valsa"

segunda-feira, 14 de junho de 2010

"Eu acho que no tempo da maldade a gente nem era nascido"


Fecharam a porta e não abriram a janela. Uma armadilha bem armada. Eu sinto uma coisa que não consigo definir, mas que se chama vergonha. Sinto vergonha não de mim e sim de tudo o que aconteceu, de como me deixei envolver, de como aceitei tudo, como se não fosse nada. Eles sentem uma coisa que eu consigo lembrar bem como é e que se chama pena. Cansei de cair e a plateia pedir bis. Cansei do que eles chamam de cumplicidade e que só serve para o mal. Eu sinto saudades, saudades sei lá do quê, sei lá de quem.

domingo, 23 de maio de 2010

O menino que mergulha nos meus pensamentos


"Aquele menino trazia na testa a marca inconfundível: pertencia àquela espécie de gente que mergulha nas coisas às vezes sem saber por quê, não sei se na esperança de decifrá-las ou se apenas pelo prazer de mergulhar."

(Caio F.)



quarta-feira, 19 de maio de 2010



Querido diário, o blog é mais moderno.



segunda-feira, 17 de maio de 2010

Peço licença para dormir

Estou cansada...

Cansada de esperar,
de tentar,

de não conseguir chorar para aliviar;

Cansei do jornal,
da novela,

do romance que não existe;


Precisodeumtempodomundo,
masnãoseisersozinha.

Cansei de ser...

Previsivelmente
Inexplicavelmente

Só tua.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

"Vou morrer de saudades. Não, não vá embora."


Já o deixei no portão tantas vezes, tantas vezes nos despedimos, mas ele sempre voltou. Às vezes passava meses sem ele voltar. A gente se esbarrava por aí, mas não se engane, não eram encontros, eram desencontros. Eu sabia quando ele ia voltar e ele sabia quando tinha que voltar. Então ele aparecia vestido com aquele sorriso que é só meu (ele tem vários sorrisos) e com aquele olhar que me devora, sem ao menos ter devorado, se é que me entendes. O corpo quente em meu domínio, todo entregue, todo manipulável. Toda a arrogância e o machismo caem por terra, quer dizer, caem nas minhas mãos. A meia no pé para não ser dominado por inteiro. Tudo se enrola em sentimentos, pensamentos e atitudes enroladas. Um rolo. É coisa de pele, e só. Com ele eu não tenho medo. Dele eu não tenho medo. Eu tenho medo é da partida. Sim, eu sei que eu falei que ele sempre volta. O meu medo é do partir diferente que vai acontecer. Esse partir tem um tempo indeterminado (apesar dele dizer que é determinado), e não ocorrerão (des)encontros. Ele vai voltar. O que eu não sei é se o "meu ele" volta junto. Eu não sei se um dia a gente volta a se encontrar ou se serão apenas desencontros. Sofro antecipadamente um sofrer duradouro, quem sabe, infinito.

Volta?


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que...

...Falas! Ah, as palavras! Quantos problemas nos trazem e de tantos outros nos livra. São tantos sentimentos banalizados em frases clichês. Hoje eu aprecio é o silêncio. Ah, o silêncio! Quantas coisas tu me falas sem sequer sair som algum. São tantas coisas que não precisam ser ditas, que não precisam ser ouvidas. Então se cale. E enfim, escute o que não precisa ser dito.


(O meu silêncio, acredite, se revela em palavras)


"Porque era ela. Porque era eu."


Todos os dias me defronto com a outra - a desgraçada insiste em me arrasar. Coloco uma roupa e vou até o espelho, a maldita está lá me zombando: "Vai trocar de roupa sua rídicula". Lá vou eu, troco, destroco, retoco, reboco, e não me desentorto. Tortamente errada obrigo a me aceitar. Finjo que a ignoro. Mas ela sempre volta. Ela sempre está lá. A outra. Eu não quero ser a outra.