quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"A nossa liberdade é o que nos prende"

Naqueles lugares onde tudo é legalizado e as pessoas exalam liberdade é que nos encontramos. São ambientes de libertos e, evidentemente, fazemos parte disso. Quando nos encontramos é como se nos reconhecessemos. Um reconhecimento sei lá de quê, mas existente e intenso.

Fomos vítimas de alguns encontros e de algumas noites mal dormidas onde nos reconhecemos cada vez mais e onde reconhecemos cada partezinha do outro e ainda há tanto pra descobrir. Fomos vitimas do álcool, da fumaça e do instinto de liberdade. Fomos vítimas um do outro.

Numa terça-feira qualquer houve uma vontade de se ver, de se ter. E nos vimos e nos tivemos. Tudo isso sem a influência do álcool, da fumaça, e só havia um pequeno vestígio desse instinto de liberdade. E nos surpreendermos em nos descobrirmos assim, de cara limpa.

Surpreendentemente diferente das outras vezes não sabíamos o que fazer. A liberdade fazia um silêncio que nos deixava imóveis. No meu silêncio mais profundo ele me escutou gritar por liberdade, então trancou a porta, para que eu não fugisse. E eu não queria fugir.

Depois daquela noite uma coisa ficou clara para mim: ter alguém para se prender também é ser livre; livre para escolher com quem eu quero estar naquele momento ou em qualquer momento. E hoje eu só queria que ele soubesse disso: que a partir do momento que eu o reconheci, eu o escolhi, porque ele era livre, livre para poder me reconhecer, livre para poder me escolher.


Eu queria lhe dizer que Liberdade é ter alguém para se prender.

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