terça-feira, 14 de setembro de 2010

O índiozinho que não falava francês


Era uma vez... Em uma ilha, um indiozinho que navegava em seu pequeno bote, até que uma guriazinha se aproximou e o pequeno bote do indiozinho virou. Ele nadava e gritava: "sua mal caráter". Naquele momento ela ficou com um peso enorme na consciência e viu que não podia deixá-lo afundar, então pensou: "se eu fosse um peixinho e soubesse nadar eu tirava o indiozinho lá do fundo do mar". Ela desejou com tanta força que, como num passe de mágica, os dois viraram peixe. Passaram muito tempo nadando juntos, um trapaceando o outro, mas sempre juntos. Finalmente, nascia uma dupla. Mas de repente, quando ela menos esperava, ele veio com a notícia:

- Vou para a França.
- Você não pode ir. Você nem fala francês.
- Vou de qualquer jeito, não tem quem me segure aqui.
- Como pode um peixe vivo viver fora d'água fria? Ela perguntou.
- Como pode a água fria viver sem seu peixe vivo? Ele perguntou como resposta.

As respostas eles já sabiam...

Hoje, o peixinho, em algum lugar da França, está comemorando seu aniversário. E pra ela só resta um vazio enorme, uma foto 3x4 e um bilhete com as escritas tortas no espelho:
"Eu te amo 1, mas é pra sempre."

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Das coisas inenarráveis

eu sempre soube que
então te conheci e tudo ficou da cor dos
as noites juntos são como
na primeira vez eu me senti em
cada dia sem te ver é como se
mas quando te encontro eu fico tão
e quando me tocas eu vejo o


desde então
descobri que não sei explicar,
só sentir.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"A nossa liberdade é o que nos prende"

Naqueles lugares onde tudo é legalizado e as pessoas exalam liberdade é que nos encontramos. São ambientes de libertos e, evidentemente, fazemos parte disso. Quando nos encontramos é como se nos reconhecessemos. Um reconhecimento sei lá de quê, mas existente e intenso.

Fomos vítimas de alguns encontros e de algumas noites mal dormidas onde nos reconhecemos cada vez mais e onde reconhecemos cada partezinha do outro e ainda há tanto pra descobrir. Fomos vitimas do álcool, da fumaça e do instinto de liberdade. Fomos vítimas um do outro.

Numa terça-feira qualquer houve uma vontade de se ver, de se ter. E nos vimos e nos tivemos. Tudo isso sem a influência do álcool, da fumaça, e só havia um pequeno vestígio desse instinto de liberdade. E nos surpreendermos em nos descobrirmos assim, de cara limpa.

Surpreendentemente diferente das outras vezes não sabíamos o que fazer. A liberdade fazia um silêncio que nos deixava imóveis. No meu silêncio mais profundo ele me escutou gritar por liberdade, então trancou a porta, para que eu não fugisse. E eu não queria fugir.

Depois daquela noite uma coisa ficou clara para mim: ter alguém para se prender também é ser livre; livre para escolher com quem eu quero estar naquele momento ou em qualquer momento. E hoje eu só queria que ele soubesse disso: que a partir do momento que eu o reconheci, eu o escolhi, porque ele era livre, livre para poder me reconhecer, livre para poder me escolher.


Eu queria lhe dizer que Liberdade é ter alguém para se prender.