segunda-feira, 28 de junho de 2010
Espero. Esperas. Espera. Esperamos. Esperais. Esperam a Esperança.
Tomo um banho. Tomo um café. Tomo vergonha na cara e mando mensagem pra ele.
Ele diz que vem.
Aí, eu espero. Espero e não faço mais nada.
As pessoas me chamam para sair e eu digo que não posso. Não quero, agora.
Eu me arrumo. Compro a nossa janta.
Continuo esperando. Então eu janto.
Olho-me no espelho e já não me gosto.
Tomo outro banho. Troco de roupa.
A esperança continua...
Eu canso de estar descansando(esperando).
A paciência termina. Coloco o pijama. Apago as luzes.
Desperto com um chamado.
Olho pela janela. Desço as escadas.
- Desculpe a demora.
De repente eu esqueço da agonia do esperar e respondo.
- Entre.
E ele entra.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Da saudade que eu sinto...
Todos os dias eu tenho que levar minha irmã para a escola e isso me traz algumas lembranças. Quando eu chego no portão, vejo muitos pais deixando seus filhos e lembro quando eu era menor e meus pais se separaram... Foi difícil segurar o choro, o desespero e o medo. Eu acabei ficando sob a guarda da minha mãe, mas continuava vendo meu pai todos os dias, pois estávamos perto um do outro. Até que um dia eu mudei de cidade. Hoje, pelos lugares que eu passo e para onde eu olho, lembro do meu pai e sinto uma saudade enorme que só ameniza nas férias de dezembro quando o encontro. E, assim, se repetem todos os meus anos. Eu aqui, ele do lado de lá e uma saudade, do tamanho da distância que nos separa e do tempo que demoramos em nos ver, que toma conta de mim e dele. Mas eu sei que ele está lá me esperando e isso que me dá forças para seguir, todos os dias.
Por: Ariana e Gabriela.
(Trabalho de português da minha sobrinha que está na oitava série. Consistia em escrever uma crônica sobre algo que acontece no seu dia-a-dia que marca sua vida. Eu e ela escrevemos juntas. Eu a amo.)
domingo, 20 de junho de 2010
Retalhos de um diálogo: Das coisas que eu guardo em mim.
Da liberdade
X: as vezes eu quero escrever
X: e não consigo
Y: e pq não escreve?
Y: pq?
X: isso acontece...
X: eu sempre digo
X: que na literatura é o único lugar que se pode ser livre...
X: mas eu não sei ser livre
X: é difícil escrever o que eu tenho que escrever
X: eu ter que ler o que eu escrevi, que eu não queria ter escrito, porque é verdade
X: hoje eu queria escrever muitas coisas
X: mas daí eu não to conseguindo
Y: pq vc não rabisca, ao menos?
X: eu salvo algumas frases aleatórias
X: mas não desenvolvo
X: por medo
X: é estranho
X: vai entender
Y: já pensasse em escrever sobre o seu medo?
X: já...
Y: e pq não escreveu?
X: é como se eu tivesse revelando um segredo, para mim mesma.
X: as coisas que eu escrevo
X: eu leio
X: e me sinto mal
X: como se eu tivesse me traído
Y: então vc nega a liberdade por medo?
X: eu não quero ser livre...
Y: pq?
X: porque ser livre é não depender.
Y: ou depender voluntariamente...
X: não entendi
Y: a liberdade não é se livrar de todas as correntes, mas ter o direito de conhecer e escolher plenamente ao que se acorrentas
X: (:
(...)
Da paixão
X: eu me apaixono por isso, por esse discurso...
X: pelo jeito que a gente escreve um pro outro...
X: não me vem exemplos mais específicos pra te mostrar o que é paixão pra mim
Y: vc se apaixona é pela sua sensação de paladina de um resquício de pureza enfrentando algo claramente terreno e mal aos seus olhos hahahaha
(...)
Do relacionamento
Y: e vc ainda não criticou minha opinião sobre relacionamento
X: eu sei...
X: não esqueci, não se preocupe
X: só tenho pensado nisso, e tô criando coragem para escrever...
X: não é nada demais
X: mas é aquela coisa que eu te falei antes, sobre escrever
Y: ahhahahahaha, não precisa ter medo... eu vou sempre dar minha opinião, mas nunca te julgar, mesmo q a sua autocrítica cumpra esse papel, garanto que sou bem menos rígido que ela ;)
X: eu sei, é algo que fere mais a mim do que a ti, não tô preocupada com a tua reação, porque não vai ser nada demais...
X: preciso reler tudo o que tu escreveu de novo e pensar em como começar
Y: aeaehueeeueuaeueauhe... vc vai discordar só de tudo
X: hiuahsauihsuiahsa
X: por que a gente é assim, né?
X: é tudo uma discordância
X: existe o tal do equilíbrio que tu tanto fala nesse sentido?
Y: ah, em um ponto até que a gente tem uma harmonia legal...
X: é...
Y: talvez... eu não sei exatamente... o que eu sei é q, dentro do meu padrão de manter perto de mim pessoas que me interessam, vc é uma das que eu mantenho por múltiplos interesses
Das reticências...
...
..
.
(Há reticências que podem não dizer nada)
quarta-feira, 16 de junho de 2010
As letras estão fora do lugar
segunda-feira, 14 de junho de 2010
"Eu acho que no tempo da maldade a gente nem era nascido"
Fecharam a porta e não abriram a janela. Uma armadilha bem armada. Eu sinto uma coisa que não consigo definir, mas que se chama vergonha. Sinto vergonha não de mim e sim de tudo o que aconteceu, de como me deixei envolver, de como aceitei tudo, como se não fosse nada. Eles sentem uma coisa que eu consigo lembrar bem como é e que se chama pena. Cansei de cair e a plateia pedir bis. Cansei do que eles chamam de cumplicidade e que só serve para o mal. Eu sinto saudades, saudades sei lá do quê, sei lá de quem.