sexta-feira, 14 de maio de 2010

"Vou morrer de saudades. Não, não vá embora."


Já o deixei no portão tantas vezes, tantas vezes nos despedimos, mas ele sempre voltou. Às vezes passava meses sem ele voltar. A gente se esbarrava por aí, mas não se engane, não eram encontros, eram desencontros. Eu sabia quando ele ia voltar e ele sabia quando tinha que voltar. Então ele aparecia vestido com aquele sorriso que é só meu (ele tem vários sorrisos) e com aquele olhar que me devora, sem ao menos ter devorado, se é que me entendes. O corpo quente em meu domínio, todo entregue, todo manipulável. Toda a arrogância e o machismo caem por terra, quer dizer, caem nas minhas mãos. A meia no pé para não ser dominado por inteiro. Tudo se enrola em sentimentos, pensamentos e atitudes enroladas. Um rolo. É coisa de pele, e só. Com ele eu não tenho medo. Dele eu não tenho medo. Eu tenho medo é da partida. Sim, eu sei que eu falei que ele sempre volta. O meu medo é do partir diferente que vai acontecer. Esse partir tem um tempo indeterminado (apesar dele dizer que é determinado), e não ocorrerão (des)encontros. Ele vai voltar. O que eu não sei é se o "meu ele" volta junto. Eu não sei se um dia a gente volta a se encontrar ou se serão apenas desencontros. Sofro antecipadamente um sofrer duradouro, quem sabe, infinito.

Volta?


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